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HOMILIA I DOMINGO DO ADVENTO
ANO B
 
Estamos iniciando hoje um novo Ano Litúrgico, o ano B, dedicado ao Evangelho de Marcos. O Ano Litúrgico difere do ano civil, assim como toda a compreensão temporal da Igreja difere da compreensão de tempo do mundo civil.  Igreja mede seu tempo de forma diferente do da sociedade civil, cuja contagem se dá a partir do ritmo do sol: 365 dias, sendo que um dia equivale à rotação da Terra em torno do Sol, 12 meses, quatro estações climáticas. A Igreja, ao contrário, marca o tempo a partir de uma Pessoa que andou pelo mundo fazendo bem e fazendo bem todas as coisas: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho de Deus que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). O tempo da Igreja não é somente um tempo, uma passagem de dias, uma rotina pesada e sem sentido, mas é uma história, que começa com a Revelação de Deus ao povo reunido no deserto e caminha para seu ápice em Jesus Cristo.
Em sua homilia do I Domingo do Advento de 2008, proferida na Basílica de São Lourenço Fora dos Muros[1], o Papa Emérito Bento XVI ensina que advento pode ser traduzido como chegada, vinda, presença. No mundo antigo, era uma palavra utilizada para referir-se à visita de reis e imperadores às províncias, como também para o aparecimento de divindades. Ao adotar a palavra advento, os primeiros cristãos queriam expressar sua relação com Cristo crucificado-ressuscitado: Ele é o Rei que veio nos visitar, e que, após sua Ressurreição e Ascensão, não se retirou do mundo, mas sua presença continua através da Assembleia Litúrgica, na Eucaristia, na Igreja.[2]
O Advento é, pois, um tempo especialíssimo da Igreja, no qual celebramos a primeira vinda de Jesus, em Belém, de forma humilde; celebramos sua presença hoje entre nós, através dos Sacramentos, da Igreja; e nos preparamos para sua segunda vinda, no fim dos tempos, de forma gloriosa, quando Ele transformará esse mundo, estabelecerá seu Reino de forma definitiva e entregará tudo nas mãos do Pai. Nas palavras de Bento XVI, “o Advento torna-se para todos os cristãos um tempo de expectativa e de esperança, um tempo privilegiado de escuta e de reflexão, sob a condição de que nos deixemos guiar pela liturgia que convida a ir ao encontro do Senhor que vem.”
Vigiai! É a ordem que Jesus nos dá hoje. Vigiai, porque não sabeis quando o dono da casa vem. Os cristãos devem estar em constante atitude de vigilância, à espera, porque não sabemos quando Jesus voltará. Por isso, devemos vigiar, e vigiar é estar com o coração voltado para o Senhor, focado em sua Palavra. Vigiar é não se deixar levar pelo mar da vida, mas, permanecer firme na fé, caminhar sempre com a cabeça erguida, olhando para frente, para a meta final, que é o Céu. É não se desesperar diante das dificuldades, mas, com a certeza de estarmos amparados por Jesus, enfrentar cada uma com a mesma serenidade com o Senhor enfrentou a cruz.
Cada símbolo nos remete para o tempo que vivemos. A coroa do Advento nos faz olhar para o caminho que estamos iniciando hoje: quatro velas, quatro domingos. A cada domingo, uma vela é acesa, e cada vela que queima, nos mostra o tempo que vai passando, e que estamos cada vez mais próximos da noite santa do Natal. O Advento nos convida a pararmos um pouco, escutarmos com mais atenção a Palavra de Deus, a uma maior intimidade com o Senhor, para que preparamos nosso espírito para a celebração litúrgica do Natal do Senhor. Aproveitemos esse tempo, e, digamos com toda a Igreja: Vinde, Senhor Jesus!

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