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HOMILIA NA VIGÍLIA DE NATAL

ANO B – 2017

 

            Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados. Depois de quatro semanas, voltamos a entoar este cântico litúrgico, cuja origem está no que foi dito pelos anjos quando apareceram aos pastores.

            Ao início do relato evangélico, Lucas se esforça por dar detalhes do contexto histórico no qual Jesus nasceu. Ele faz isso para mostrar que Jesus não é um mito, que sua história difere dos mitos de sua época, dos semideuses gregos, cujo relato se dá num tempo desconhecido. Jesus não é um mito, ele viveu num contexto conhecido, num tempo cronológico que podemos determinar. Jesus não é de forma alguma um mito: é real, de carne e osso.

            Cesar Augusto, citado por Lucas, é o imperador Otávio, o primeiro imperador romano, que governou entre os anos 3 a. C e 14 d. C. Ganhou o título augusto, que significa divino. Otávio queria ser divino, e intitulava-se o Salvador: teria vindo para salvar o mundo e trazer a paz. E, de fato, ele trouxe ao império romano da época a paz: em cada província, algumas legiões romanas, compostas por centenas de soldados, garantiam a paz, impedindo que houvessem revoltas, protestos. Não era uma verdadeira paz, pois era conseguida a base de violência.

            O divino salvador que traz a paz: assim o imperador se autointitulava, assim os romanos entendiam o imperador. E numa das menores cidades do império, Belém, num estábulo, nasceu um menino, a quem os anjos chamaram Salvador: Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador. Em seguida os anjos cantam: Paz na terra aos homens. Não é o imperador que traz a paz, mas o menino Jesus, não é imperador que é o Salvador, mas o menino Jesus. O império romano acabou, e o cristianismo continua até os dias de hoje: o grande império romano foi vencido, enquanto Jesus, que nasceu na manjedoura, em Belém, fora da cidade, continua de pé. É uma grande notícia para nós saber que temos um Deus que desce de sua glória e vem até nós, humilde, como nós somos, pequenos, como nós somos, que assume nossa realidade humana, com nossas angústias, tristezas, misérias e fraquezas, e assim, cumpre-se o que fora anunciado pelo profeta Isaías, de que o povo que andava nas trevas viu uma grande luz. O povo que anda nas trevas hoje somos nós, e somente Jesus pode nos trazer a verdadeira paz e a verdadeira luz.

            Maria o envolveu em faixas e o deitou na manjedoura; no final do Evangelho de Lucas, Jesus é enrolado novamente em faixas e deitado no sepulcro.  Manjedoura e cruz.  Não podemos nunca esquecer que o menino deitado na manjedoura é o homem pregado na cruz e ressuscitado. Natal e Páscoa estão intimamente conectados, são duas grandes solenidades litúrgicas – as maiores do ano -  que tratam da mesma realidade: o Deus que se fez carne, caminhou entre nós, e experimentou a nossa realidade, inclusive a morte, por amor a nós, e para nos inserir na realidade divina, para nos fazer participantes da Trindade.

            O menino que vemos deitado na manjedoura é a manifestação de Deus. São Paulo diz na segunda leitura que a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Jesus é manifestação da graça de Deus, e, pela morte na cruz, nos resgatou e purificou, de modo que pertencemos a Ele.

                

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