cross-66700_1920 +

O ano litúrgico que estamos vivendo, o ano C, é dedicado ao Evangelho de Lucas. Em todos os domingos de 2016, com algumas exceções, é proclamado o Evangelho de Lucas nas celebrações. Este Evangelho foi escrito por volta do ano 85 d.C., por um autor de nome Lucas, que também escreveu o livro dos Atos dos Apóstolos. Esses dois livros são, na verdade, um único livro em dois volumes. O Evangelho de Lucas é muito dinâmico, há muito movimento; ele enfatiza o caminho que Jesus percorreu. Isso porque, para Lucas, o seguimento de Jesus é um caminho. Os que se tornam discípulos iniciam um caminho, longo e árduo, que nos leva para o Reino de Deus, para o Céu.

Domingo passado, Jesus disse que quem quisesse seguí-lo deveria renunciar a si mesmo, tomar a cruz e seguí-lo. Renunciar aos próprios projetos, às próprias vontades, aos pecados, tomar a cruz nos ombros e seguir Jesus: esse é o caminho da felicidade. Hoje, Jesus tomou a firme decisão de ir a Jerusalém, mesmo sabendo que lá seria preso, torturado e morto na cruz. Sua decisão não é de ir para a morte, mas de fazer a vontade do Pai, não importando as consequências dessa decisão. Por isso é uma decisão firme, sólida. A entrega que Jesus faz de si mesmo ao projeto do Reino é tal que ele chega a dizer que se é seu alimento (cf. Jo 4,34). Oxalá possamos nós também dizermos que nosso alimento é fazer a vontade de Deus!

O verbo forte desse Evangelho é seguir: alguém se apresenta para seguir Jesus, e Ele chama mais duas pessoas para seguí-lo. Àquele que se apresenta para seguí-lo, Jesus, de forma realista, apresenta as consequências do seguimento: o Filho do Homem – e, em consequência, seus discípulos não tem onde reclinar a cabeça. Seguir Jesus não é fácil. Exige de nós uma firme decisão, exige despojamento, desapego. Quem quer comodidade, conforto não pode ser discípulo de Jesus.

Depois, Jesus chama duas pessoas. A iniciativa do chamado é dele. Diante do chamado, não podemos colocar condições nem desculpas. Usando exemplos fortes, Jesus chama a atenção para as diferentes desculpas que vamos colocando diante do chamado do Senhor: estou cansado, sou jovem demais, trabalho demais, estudo demais, tá frio, tá chovendo, tá calor, tô com sono, tô de férias, etc., etc., etc. De fato, quem coloca desculpas não pode ser discípulo.

Na segunda leitura, São Paulo nos recorda que somos livres, porque Jesus Cristo nos libertou. Antes, éramos escravos do pecado, do demônio, mas Jesus, com sua morte e ressurreição, nos libertou. Paira no ar uma ideia de liberdade na qual ela é entendida como a possibilidade de escolha entre duas ou mais possibilidades, não importando a moralidade dessas possibilidades: se sou livre, faço o que quero, mesmo que seja mal. Se o ato que escolhi fazer não prejudica outros, então sou livre para agir. Isso é falso. Se sou livre, faço o que devo fazer. Ser livre significa fazer o que é certo, que não depende do nosso juízo moral. A diferença entre certo e errado não é decidida por nós, mas está determinado por Deus, que é o Criador. Isso não afeta a nossa liberdade, porque o que nos liberta é a verdade, é o bem. Quando eu opto pelo mal, me torno escravo desse mal. Jesus nos libertou do mal, para que, livres, possamos trilhar o caminho da verdadeira liberdade. É para a liberdade que Cristo nos libertou.

Padre Fabiano Glaeser dos Santos - pároco            

 

 

 

 

 

 

© 2016 Desenvolvido por Agência Tabor

Topo
Siga-nos: